Friday, June 20th, 2008
Ter que (tentar) acordar numa gostosa manhã gelada de 12ºC às seis da manhã; sair de casa e voltar por ter esquecido alguma coisa; ir para o ponto e sempre perder o ônibus por questões de segundos; esperar minutos pelo próximo ônibus brigando com o vento fustigante que assola meu bairro; enfrentar o empurra-amassa para subir no coletivo; enfrentar, por mais de 50 minutos, o combo-empurra-amasssa dentro do coletivo; chegar na universidade sempre atrasada; enfrentar o olhar de reprovação de alguns professores - que provavelmente não tiveram que enfrentar quase nenhuma das etapas anteriores, principalmente o combo-empurra-amassa; ter que aguentar aulas chatas sobre assuntos desinteressantes; suportar todos os professores mandando fazer pseudo-seminários sobre todas as bobagens possíveis que aparecem na frente deles - queridos professores, se eu quisesse aprender a dar aula estaria fazendo uma licenciatura; passar raiva com outras pessoas; criar antipatia pelo curso que faço ao ouvir merdas cotidianas; sair da universidade às 12h40, com o estômago reclamando; ser, às vezes, liberada às 12h e ter que enfrentar o super-combo-empurra-amassa para entrar no ônibus com os desesperados alunos da Agrotécnica que teimam em correr como loucos quando chega o D-30; enfrentar, por mais de 50 minutos, a gritaria dentro do ônibus.
Descer do ônibus e sempre lutar para encontrar as chaves dentro da bolsa; correr o risco de ser assassinada pelo pneu pendurado que está prestes a cair no título de uma oficina que fica no caminho; chegar em casa e não gostar do almoço-marmita e lembrar como a comida da minha mãe é bem melhor que aquilo; almoçar correndo e me preparar para ir pro trabalho; sair e sempre voltar por ter esquecido alguma coisa; subir no ônibus - que graças aos céus está mais vazio nessa hora - e enfrentar mais meia hora dentro dele.
No início da noite, enfrentar o duplo-super-combo-empurra-amassa para pegar outro ônibus na hora de voltar para casa; ter que aguentar as pessoas que me empurram reclamando de estarem sendo empurradas; rir da cara delas; em muitos dos dias, ter que aguentar a volta em pé; perder alguns minutos de Two and a Half Men.
Isso tudo me dá tique tique nervoso.
Deve ser por isso que minha pálpebra está piscando involuntariamente. O google aponta: cansaço e stress. Mas não é o ônibus o que mais me estressa, é a minha falta de paciência pra essas aulas, juro! Pelo menos teremos essa bela semana de folga.
4:01 pm
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Thursday, May 8th, 2008
Ando meio que “de mal” com a internet, principalmente com meu blog e fotolog. Acho que estou cansada… cansada das coisas que eu faço. Talvez tenha unido uma crise de criatividade com uma crise de identidade, o resultado é este abandono e descuido. Sinto-me mal porque, apesar de não fazer, eu quero fazer, mas é como se nada saísse - e o que sai não me agrada. Falta tanto coragem para começar quanto para continuar, e falta tato para saber que não devo ser tão desmotivada, ou tão exigente, ou tão crítica.
Acho que um dos meus maiores problemas ultimamente tem sido o constante “não consigo” e o ácido “fazem melhor do que eu” que infiltraram-se em minha cabeça e que surgem derrubando tudo antes mesmo que eu tente fazer qualquer algo.
Não tenho certeza se é preguiça, saco cheio ou um monte de questionamentos. Pode ser dúvida… Já esteve em frente a dois caminhos e ficou parado sem conseguir decidir em qual continuar? É mesmo provável que esta seja a pior opção, ficar parado, mas é que estas pessoas todas do mundo “botam a gente comovido como o diabo”.
É só fase, eu acho (mas é preciso gritar, seja como for).
5:16 pm
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Thursday, April 3rd, 2008
A praia quase deserta tem ao longe uma luz, algumas vozes fazem coro enquanto o céu estrelado abraça a melodia. Ao redor da fogueira, nomes comuns para os ouvidos de muita gente. As batucadas, os cantos e as risadas vêm dos convidados para o Luau: Engenheiros do Hawaii, Zeca Baleiro, Rita Lee, Paralamas do Sucesso, Ira!, Pato Fu, Pitty, Arnaldo Antunes, Lobão…
Juntos eles conversam, trocam piadas, sorrisos, contam memórias e, lá, no meio de tudo, estou eu, oras bolas! O motivo da reunião? A fã aqui gastou praticamente 100 mil reais comprando cds desses nomes e distribuindo por aí.
Isso mesmo. Com meus 92 mil eu não compraria um momento com meus ídolos, tentaria fazer melhor: democratizaria. A cena aí de cima poderia continuar sendo devaneio, porque meu sonho de fã mesmo é que, um dia, nós possamos ser a maioria. Aí, sim, quem sabe, depois que esse dia chegar, os 92 mil virem uma reunião entre todos nós?
- “Se pudesse pagar 92 mil reais para realizar um sonho de fã, o que pediria?” Tema proposto pelo Tudo de Blog para o site.
3:21 pm
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Friday, March 28th, 2008
Sexo, drogas & a praça é nossa, isso mesmo! A praça é do povo, então dai ao povo o que ele gosta, ué!
Ok, vamos falar sério. A Holanda liberou sexo na praça pública e, então, no “país da mulher pelada” chove gente reclamando e criticando essa “imoralidade”. Perguntam se essa medida deveria ou ao menos poderia ser adotada em nosso país e a resposta é simplesmente refletida pela cara de espanto que todo mundo faz quando se comenta o assunto: óbvio que não! Brasileiro está preparado para ver bustos balançando no carnaval, mas não pode passar perto de uma praça imaginando o que pode estar havendo lá no meio dos arbustos. A questão, convenhamos, é que somos lotados de um falso pudor espantoso.
Amiguíssimos, sexo e todo o escambau é a coisa mais normal do mundo. É sim. Pode negar como quiser, mas é. Só que cada sociedade constrói as regras e os tabus de acordo com a sua formação. No país dos moinhos de vento, a liberação de drogas, da prostituição e do sexo em público aconteceu porque para eles isso é aceitável. A sociedade deles foi sustentada de tal forma que eles podem conviver com isso normalmente.
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9:44 pm
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Friday, March 28th, 2008
Eu acho… Nos últimos dias isso aqui esteve bem bagunçado, mas a casa está limpa agora. Mudei de servidor e confesso que espero não demorar muito para mudar esse layout também, viu? :P
Descobri nestante que meu texto (esse aí sobre a fama), o da Gabrielle e o da Roberta foram os selecionados para o Tudo de Blog da Capricho nº 1041! :D Nem tô besta, ‘magina. \o/
7:49 pm
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Thursday, March 6th, 2008
Tudo por quinze minutos de fama? Não sejamos modestos! Alguns têm mais, alguns menos: eu já contabilizo 19 anos de fama. É que TV, cinema, rádio, isso tudo é só metáfora. Palco de verdade é a tal da vida e, aqui, sim, vale tudo. Vale até acordar de madrugada, enfrentar congestionamento e dar duro o dia todo pra poder comprar pão quando chegar a noite. Nós, artistas, nos viramos com nossos próprios escândalos para contracenar com todos que nos rodeiam e escrever nosso final feliz.
Famoso de verdade é aquele que dá oi para o vizinho, que deseja bom dia para o padeiro e para o cobrador do ônibus, é quem ri com os casos do dono do barzinho e faz amigos na fila do banco. Famosos da vida real vivem sob a luz do holofote maior - o Sol - e, ao contrário dos pseudo-artistas da mídia, quando vêem o holofote se apagar é que começam a apresentar seus maiores shows. Aqui só não vale ser infeliz, afinal, brincando com as palavras do Lessa: a gente não nasce, estréia.
2:51 pm
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Tuesday, February 26th, 2008
Vários dias atrás, quando eu voltava de viagem, no trecho Minas-Bahia, pude assistir o céu mais lindo de toda minha vida :) Não sou capaz de descrevê-lo e nem de mostrar como as cores se misturavam e dançavam. O céu parecia celofane furta-cor e eu tentava captar um pouquinho daquele show todo mas, confesso, as fotos que eu tirei não mostram nem um terço da beleza daquela manhã.
As coisas mais bonitas ficam mesmo guardadas apenas na lembrança da gente.
9:44 pm
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Thursday, February 21st, 2008
Os dedos são os braços pelos quais as mãos se abraçam à procura de proteção. No aperto o corpo sabe que encontrou abrigo, acalenta-se e se envolve, entrega-se porque sabe que possui o direito de se fortalecer.
Mãos se unem para abençoar, mãos se unem para buscar forças, mãos se unem para passar confiança, mãos se unem para evitar quedas e para guiar caminhos, mãos se unem para construir correntes, para orações, para dançar cantigas, valsas, forrós e tangos.
As mãos são os laços pelos quais os homens se amarram, as unhas são as promessas não ditas e os calos são as dores não choradas. Em cada fiapo e em cada cutícula escondem-se segredos e juras, tantas juras quanto as linhas que marcam estes dedos. Nas palmas, que ciganas tentam decifrar, a esperança de segurar amores e futuros vãos. Cada homem, uma digital, na certeza da singularidade, na certeza de ser único no mundo.
Quando duas digitais se encontram e se encantam, são estas mesmas mãos que se unem para formar o que os homens apelidaram de amor; são estes mesmos dedos que se coroam para o que se diz eternidade. Benditos sejam os homens que, entre tantas digitais, encontram aquela lhe ampara.
1:28 am
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